Retatrutida vs tirzepatida vs semaglutida: comparativo
16 de outubro de 2026
8 minutos de leitura
Na comparação retatrutida vs tirzepatida vs semaglutida, a retatrutida (em inglês, retatrutide) produziu a maior perda de peso média já registrada nos ensaios pivotais da classe (−25,0% em 80 semanas na dose de 12 mg no TRIUMPH-1), contra −20,9% da tirzepatida 15 mg no SURMOUNT-1 e −14,9% da semaglutida 2,4 mg no STEP 1. Mas os números vêm de estudos diferentes, com durações e populações distintas, e a retatrutida ainda não tem registro em nenhum país, enquanto semaglutida e tirzepatida são aprovadas pela Anvisa e já têm dados de desfecho cardiovascular.
Importante: a retatrutida é um medicamento experimental, sem aprovação da Anvisa, da FDA ou de qualquer outra agência. Produtos vendidos no Brasil como "retatrutida" são irregulares, de origem e composição desconhecidas. As doses citadas neste texto são as dos protocolos de ensaio clínico e não constituem orientação de uso.
As três moléculas são peptídeos de aplicação subcutânea semanal, mas diferem nos receptores que ativam:
| Item | Semaglutida 2,4 mg | Tirzepatida | Retatrutida |
|---|---|---|---|
| Receptores | GLP-1 | GIP + GLP-1 | GIP + GLP-1 + glucagon |
| Estudo pivotal (obesidade sem DM2) | STEP 1 (n=1.961; 68 semanas) | SURMOUNT-1 (n=2.539; 72 semanas) | TRIUMPH-1 (n=2.339; 80 semanas) |
| Perda de peso média | −14,9% (placebo −2,4%) | 5 mg −15,0%; 10 mg −19,5%; 15 mg −20,9% (placebo −3,1%) | 4 mg −17,6%; 9 mg −23,7%; 12 mg −25,0% (placebo −3,9%) |
| Interrupção por EA | 4,5% por EA gastrointestinal (placebo 0,8%) | 4,3% a 7,1% (placebo 2,6%) | 4,1% (4 mg), 6,9% (9 mg), 11,3% (12 mg); placebo 4,9% |
| Desfecho cardiovascular | SELECT: MACE HR 0,80 vs placebo | SURPASS-CVOT (DM2): HR 0,92 vs dulaglutida (não inferior) | Sem estudo de desfecho publicado |
| Status no Brasil | Registrada (Wegovy; Ozempic para DM2) | Registrada (Mounjaro) | Sem registro |
Os percentuais de perda de peso são os da estimativa por regime de tratamento (intenção de tratar), relatados nos artigos do NEJM.
Adultos sem diabetes com IMC ≥30 (ou ≥27 com comorbidade) foram randomizados 2:1 para semaglutida 2,4 mg ou placebo por 68 semanas, com intervenção de estilo de vida. A variação média de peso foi de −14,9% vs −2,4% (diferença de −12,4 pontos percentuais); 50,5% dos tratados perderam 15% ou mais.
Com 72 semanas (incluindo 20 de escalonamento), a perda média foi de −15,0%, −19,5% e −20,9% com 5, 10 e 15 mg, contra −3,1% com placebo. Na dose de 15 mg, 57% dos participantes perderam 20% ou mais do peso.
No estudo de fase 2 (n=338; 48 semanas), a dose de 12 mg resultou em −24,2% vs −2,1% com placebo. No TRIUMPH-1, de fase 3, publicado no NEJM em 29 de setembro de 2026, a perda em 80 semanas foi de −17,6%, −23,7% e −25,0% com 4, 9 e 12 mg, contra −3,9% com placebo. O valor de 28,3% divulgado pela Lilly em maio de 2026 corresponde a outra análise estatística (estimativa de eficácia, que considera apenas quem seguiu o tratamento) e não deve ser comparado aos números da tabela.
Comparar essas colunas não equivale a um estudo direto: as durações variam de 48 a 80 semanas, as populações e os métodos estatísticos diferem e não existe ensaio publicado que compare a retatrutida com a tirzepatida ou com a semaglutida. A única comparação direta disponível entre duas das três drogas é o SURMOUNT-5: em 751 adultos com obesidade sem diabetes, em estudo aberto de 72 semanas, a tirzepatida na dose máxima tolerada (10 ou 15 mg) levou a −20,2% de peso, contra −13,7% com semaglutida (1,7 ou 2,4 mg), com diferença estatisticamente significativa (P<0,001).
Nas três moléculas, os eventos adversos mais comuns são gastrointestinais, em geral leves a moderados e concentrados na fase de escalonamento da dose.
A interrupção por evento adverso na dose de 12 mg de retatrutida (11,3%) foi maior que a observada com as doses máximas de tirzepatida e semaglutida em seus respectivos estudos, mas a comparação também é indireta. Detalhes em efeitos colaterais da retatrutida nos estudos TRIUMPH.
Semaglutida (SELECT): em 17.604 pacientes com doença cardiovascular prévia, IMC ≥27 e sem diabetes, o desfecho composto (morte cardiovascular, IAM ou AVC não fatais) ocorreu em 6,5% com semaglutida 2,4 mg vs 8,0% com placebo (HR 0,80; IC 95% 0,72–0,90), em seguimento médio de 39,8 meses.
Tirzepatida (SURPASS-CVOT): em 13.299 pacientes randomizados com diabetes tipo 2 e doença aterosclerótica, o MACE ocorreu em 12,2% com tirzepatida vs 13,1% com dulaglutida (HR 0,92; IC 95,3% 0,83–1,01). O estudo confirmou não inferioridade, sem superioridade estatística. O comparador foi um agonista de GLP-1 com benefício cardiovascular já demonstrado, e não placebo.
Retatrutida: não há estudo de desfecho cardiovascular publicado. No TRIUMPH-3, em pessoas com obesidade e doença cardiovascular, foram registrados 27 eventos MACE no grupo retatrutida e 23 no placebo, segundo a imprensa especializada. O número pequeno de eventos não permite conclusão sobre benefício ou risco.
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Conhecer o AtlasNos estudos pivotais, a perda média com retatrutida 12 mg (−25,0% em 80 semanas) superou a da tirzepatida 15 mg (−20,9% em 72 semanas), mas não há comparação direta publicada. Além disso, a retatrutida não tem registro nem dados de desfecho cardiovascular.
Ozempic é semaglutida, um agonista apenas do receptor de GLP-1, aprovado no Brasil para diabetes tipo 2. A retatrutida age em três receptores (GIP, GLP-1 e glucagon) e ainda é experimental.
Sim, no SURMOUNT-5, único estudo direto entre as duas: −20,2% vs −13,7% em 72 semanas, em adultos com obesidade sem diabetes.
Não. Ela não tem registro na Anvisa, e os produtos vendidos como retatrutida são irregulares. Veja os riscos das canetas emagrecedoras irregulares.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde. Informações atualizadas em outubro de 2026.
Autor do conteúdo
Equipe MedCode
Referências
Públicação Oficial
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