Mounjaro dose inicial: tabela de titulação da tirzepatida
16 de outubro de 2026
7 minutos de leitura
A dose inicial do Mounjaro (tirzepatida) é 2,5 mg por via subcutânea, uma vez por semana, durante 4 semanas; depois a dose sobe para 5 mg e, se necessário, aumenta em degraus de 2,5 mg a cada no mínimo 4 semanas, até o máximo de 15 mg por semana. Segundo a bula brasileira, as doses de manutenção recomendadas para adultos são 5, 10 ou 15 mg. A dose de 2,5 mg serve só para iniciar o tratamento e não é dose de manutenção.
A tirzepatida é um agonista dos receptores de GIP e GLP-1 registrado na Anvisa (Eli Lilly do Brasil, registro 1.1260.0202). A bula vigente lista estas indicações:
Apresentações: solução injetável de 2,5; 5; 7,5; 10; 12,5 ou 15 mg em 0,5 mL. Cada embalagem traz 4 canetas aplicadoras de uso único. Em março de 2026 a Anvisa também aprovou a caneta multidose KwikPen (Resolução-RE nº 1.041), que permite várias aplicações com o mesmo dispositivo e foi registrada em seis concentrações. Na época da aprovação, a venda ainda dependia de a CMED definir o preço, então confirme a disponibilidade antes de prescrever. Nos EUA existe também o frasco de dose única.
A tabela abaixo mostra o esquema mais rápido que a bula permite, com 4 semanas em cada degrau. Ficar mais tempo em um degrau é permitido. No SURMOUNT-1, a escalada até 15 mg levou 20 semanas.
| Semanas | Dose semanal | Função |
|---|---|---|
| 1 a 4 | 2,5 mg | Início do tratamento, não é dose de manutenção |
| 5 a 8 | 5 mg | Primeira dose de manutenção possível |
| 9 a 12 | 7,5 mg | Degrau intermediário, se for preciso subir |
| 13 a 16 | 10 mg | Dose de manutenção (também usada na AOS) |
| 17 a 20 | 12,5 mg | Degrau intermediário, se for preciso subir |
| 21 em diante | 15 mg | Dose máxima |
Cada indicação tem suas próprias doses de manutenção na bula brasileira:
No controle do peso, a bula orienta reavaliar a continuidade do tratamento se o paciente não perder pelo menos 5% do peso inicial em até 6 meses depois de chegar à maior dose tolerada. Como referência de eficácia: no SURMOUNT-1 (2.539 adultos com obesidade, sem diabetes, 72 semanas), a variação média de peso foi de −15,0% com 5 mg, −19,5% com 10 mg e −20,9% com 15 mg, contra −3,1% com placebo.
A bula não obriga a chegar a 15 mg. A dose de manutenção deve ser escolhida conforme a resposta e a tolerância. A bula americana do Zepbound (tirzepatida para obesidade) diz que, se o paciente não tolerar uma dose de manutenção, pode-se considerar uma dose menor. Na prática, vale a pena adiar ou não fazer o próximo aumento nestas situações:
Não é preciso ajustar a dose por idade, sexo, peso, insuficiência renal (incluindo doença renal em estágio terminal) ou insuficiência hepática. A farmacocinética da tirzepatida não muda nessas populações. A bula brasileira observa, porém, que a experiência em insuficiência renal ou hepática grave é limitada e recomenda cautela. A bula americana orienta monitorar a função renal ao iniciar ou aumentar a dose em pacientes com insuficiência renal que tenham reações gastrointestinais graves.
Contraindicações: hipersensibilidade à tirzepatida ou aos excipientes e histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT) ou de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM2). A tirzepatida causou tumores de células C da tireoide em ratos, e não se sabe se isso tem relevância em humanos. A bula também não recomenda o uso na gastroparesia grave. No controle do peso, o medicamento não deve ser usado na gestação, e a bula orienta suspendê-lo pelo menos 1 mês antes de uma gravidez planejada.
Eventos adversos: náusea e diarreia são muito comuns (mais de 10%). Nos estudos de peso e AOS também aparecem vômito e constipação. Na maioria dos casos esses eventos são leves a moderados. Também constam dispepsia, refluxo, fadiga, reação no local da injeção, doença da vesícula biliar e, como evento incomum, pancreatite aguda. No pool de estudos com DM2 da bula americana, a náusea ocorreu em 12%, 15% e 18% dos pacientes com 5, 10 e 15 mg, contra 4% com placebo. No SURMOUNT-1, os eventos adversos levaram à suspensão do tratamento em 4,3%, 7,1% e 6,2% dos pacientes com 5, 10 e 15 mg, contra 2,6% com placebo. Há alertas para broncoaspiração em anestesia ou sedação profunda e para retinopatia diabética.
Importante: a retatrutida não é aprovada em nenhum país. Os produtos vendidos com esse nome no Brasil não têm registro na Anvisa.
Não. Quem busca "retatrutida 2,5 mg" (em inglês, retatrutide) muitas vezes está confundindo com a tirzepatida, cuja dose inicial é 2,5 mg. A retatrutida é um agonista triplo (GIP, GLP-1 e glucagon) ainda em estudo. No ensaio de fase 2 publicado no NEJM em 2023, os braços de 4 a 12 mg começaram com 2 mg ou 4 mg, e a dose inicial menor (2 mg) reduziu parcialmente os eventos gastrointestinais. Essas doses são de protocolo de pesquisa, não de posologia. Os detalhes estão em retatrutida: doses e titulação nos estudos clínicos e na comparação retatrutida vs. tirzepatida vs. semaglutida.
Não. A bula determina começar com 2,5 mg por 4 semanas. Esse primeiro degrau existe para reduzir os eventos gastrointestinais.
Sim. O intervalo de 4 semanas é o mínimo. Ficar mais tempo em uma dose é aceitável quando a resposta é boa ou a tolerância é limitada.
Pelo menos 20 semanas: são cinco degraus de 4 semanas (2,5 → 5 → 7,5 → 10 → 12,5) antes de chegar a 15 mg.
Pule a dose esquecida e aplique a próxima no dia de costume, porque já passaram mais de 4 dias (96 horas). Não aplique duas doses com menos de 3 dias de intervalo.
Leia também: tirzepatida no tratamento da obesidade e na prevenção do diabetes e os riscos das canetas emagrecedoras irregulares.
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Conhecer o AtlasConteúdo destinado a profissionais de saúde. Informações atualizadas em outubro de 2026.
Autor do conteúdo
Equipe MedCode
Referências
Públicação Oficial
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