Efeito da Dieta e do Exercício na Dor no Joelho em Pacientes com Osteoartrite e Sobrepeso ou Obesidade
25 de fevereiro de 2025
5 minutos de leitura
A intervenção com dieta hipocalórica e exercícios combinados melhora a dor no joelho em pacientes com osteoartrite e sobrepeso ou obesidade?
A osteoartrite (OA) de joelho é uma condição degenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo, sendo especialmente prevalente em indivíduos com sobrepeso ou obesidade. A combinação do desgaste articular e do excesso de peso pode causar dor crônica, rigidez e perda de mobilidade, afetando a qualidade de vida e aumentando o risco de incapacidade. Estudos realizados em centros acadêmicos demonstraram que intervenções baseadas em dieta e exercícios são eficazes para reduzir a dor e melhorar a função, mas sua eficácia em contextos comunitários é menos conhecida. Portanto, este estudo visa avaliar se uma adaptação dessas intervenções para ambientes comunitários é eficaz na redução da dor em 18 meses.
Ensaio clínico randomizado
Multicêntrico, realizado em condados urbanos e rurais na Carolina do Norte, EUA
Avaliação cegada por observadores
Randomização na proporção 1:1 para dieta+exercício ou controle
Seguimento: 18 meses
820 pacientes foram calculados como necessários para detectar uma diferença mínima clinicamente relevante de 1,6 no escore de dor WOMAC (entre grupos) com 94% de poder estatístico e um nível de significância de 5%. O cálculo levou em consideração uma taxa de retenção de 80%.
Portadores com osteoartrite de joelho apresentavam sobrepeso ou obesidade incluídos entre 2016 e 2019.
Idade de 50 anos ou mais.
Diagnóstico de osteoartrite de joelho.
Sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 27)
Doença arterial coronária sintomática
Diabetes tipo 1
Câncer ativo (exceto câncer de pele não melanoma)
Índice de massa corporal menor que 27
Pacientes que não atendem aos critérios clínicos do American College of Rheumatology para OA do joelho.
Dieta e exercício por 18 meses.
Os participantes seguiram um plano alimentar com restrição calórica, visando um déficit de 800 a 1000 kcal/dia, e também o uso de substitutos de refeição para complementar refeições de baixa caloria.
Os participantes realizaram sessões exercício físico de 60 minutos, 3 vezes por semana, durante todo o período de acompanhamento. Os exercícios incluíam caminhada aeróbica, treinamento de resistência e caminhada adicional.
Atenção padrão por 18 meses.
Os participantes receberam orientações gerais de saúde e nutrição, mas sem intervenções estruturadas de dieta ou exercício.
Participaram de cinco sessões educativas de 1 hora em grupo nos meses 1, 3, 6, 9 e 15. Receberam materiais educativos e participaram de sessões telefônicas individuais a cada dois meses.
Primário: diferença entre os grupos na pontuação de dor no joelho, avaliada pelo Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index (WOMAC), que varia de 0 (nenhuma dor) a 20 (dor grave). A diferença clinicamente importante mínima foi definida como 1,6.
Secundários: mudança no peso corporal, circunferência da cintura, pontuação média da função WOMAC, distância média de caminhada em 6 minutos, pontuações da subescala física do Short Form 36.
MasculinoFeminino
Total = 823 participantes (77% do sexo feminino e 22,5% do sexo masculino)
Grupo intervenção de dieta e exercícios (n=414) x Grupo controle de atenção (n=409):
77,3% mulheres x 77,5% mulheres
Idade média: 64,5 anos x 64,7 anos
Pontuação de dor média na escala WOMAC: 5,0 x 5,5
Pontuação média de função na escala WOMAC: 16,5 x 19,8
Presença de comorbidades: 15,3% x 17,3%
O grupo intervenção teve uma pontuação média de dor na escala WOMAC menor que o grupo controle (5,0 x 5,5), com diferença significativa de -0,6 (P = 0,02). Além disso, a pontuação média de função WOMAC foi melhor no grupo de intervenção em comparação com o grupo de controle, também com diferença significativa (P < 0,001).
Houve uma perda ponderal média de 7,7 kg (8%) no grupo intervenção (dieta e exercício), enquanto o grupo controle perdeu apenas 1,7 kg (2%) durante o acompanhamento de 18 meses. Além disso, a circunferência média da cintura ao final do estudo foi de 105 cm no grupo intervenção e 111 cm no grupo controle, representando uma diferença ajustada de −5 cm (IC 95%: −7 cm a −4 cm; P < 0,001).
Após 18 meses de acompanhamento, a distância média de caminhada em 6 minutos foi de 419 metros no grupo intervenção (dieta e exercício) e 376 metros no grupo controle, com uma diferença ajustada de 43 metros (IC 95%: 31-55 m; P < 0,001).
Além disso, os escores médios da subescala física do Short Form 36 foram 41,4 no grupo intervenção e 37,6 no grupo controle, representando uma diferença ajustada de 3,8 pontos (IC 95%: 2,5-5,2; P < 0,001).
Uma intervenção com dieta hipocalórica e exercícios combinados em ambientes comunitários levou a melhora na dor no joelho em pacientes com osteoartrite e sobrepeso ou obesidade. No entanto, a magnitude dessa redução foi pequena e de importância clínica incerta.
Amostra significativa, garantindo robustez estatística.
Design randomizado controlado, o que minimiza viés e permite comparação confiável entre os grupos de intervenção (dieta e exercício) e o grupo controle.
Acompanhamento de longo prazo, avaliando os efeitos a longo prazo e a sustentabilidade das intervenções.
Pontos Fracos
A coleta de dados sobre dor e função (pontuação WOMAC) pode ser influenciada por viés de auto-relato, afetando a precisão dos resultados.
A diferença mínima clinicamente importante para o escore de dor WOMAC foi estabelecida como 1,6 pontos. Isso significa que, para ser considerada clinicamente relevante, a diferença entre os grupos deveria alcançar ou exceder este valor. No entanto, a diferença observada foi de apenas 0,6 pontos, ficando abaixo do limiar de relevância clínica.
Falta de confirmação radiográfica da osteoartrite por imagem radiográfica ou ressonância magnética, o que limita a certeza sobre o diagnóstico e gravidade da condição.
Autor do conteúdo
Marcos Jacinto
Referências
Públicação Oficial
https://app.doctodoc.com.br/conteudos/efeito-da-dieta-e-do-exercicio-na-dor-no-joelho-em-pacientes-com-osteoartrite-e-sobrepeso-ou-obesidade
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